Jards Macalé atua em várias áreas e brilha em todas. Como compositor, marcou a carreira de Gal Costa com canções como Vapor Barato, Mal Secreto e Hotel das Estrelas. Como produtor, finalizou Transa, um dos discos mais geniais de Caetano Veloso. Como ator, trabalhou em filmes como Macunaíma, Amuleto de Ogum e, mais recentemente, Big Jato, interpretando um poeta louco, o que não deve ter sido difícil, já que na vida real ele nunca foi muito normal. Nos anos 70, Macalé tomou um ácido antes de visitar o Madame Tussauds, em Londres, e o segurança teve que separá-lo da estátua da Branca de Neve. Não fosse o auxílio luxuoso de João Gilberto, que o dissuadiu de cometer suicídio, talvez ele nem estivesse de malas prontas para voltar à Inglaterra. Entre um gole e outro de expresso no Café Le Pain, no Jardim Botânico, Rio, ele conta tudo…

VICENTE LOU: Como você foi parar em Londres pela primeira vez?
JARDS MACALÉ: Caetano Veloso estava no exílio. Foi aquele período difícil do regime militar brasileiro. Eu não fiz parte do processo tropicalista em si, mas eu fazia algumas coisas, como músico, compositor, tecladista, violonista e tal, e eu fiquei no Brasil com a Gal [Costa], dando apoio a ela, fizemos algumas coisas. Caetano gravou o primeiro disco lá, um disco muito triste, muito amargo. Em algum momento, ele queria gravar outro disco e me convidou a participar, pra ajudá-lo a fazer o disco e tal. E eu aceitei. Isso foi no final de 1969 pra 70. E em Londres fizemos o disco Transa, que foi uma maravilha gravar. Fiquei quase um ano, foi muito bom, a música pop/rock estava no auge, efervescendo, e Londres estava uma gostosura! Saí do Brasil num regime de exceção e quando cheguei, por mais que o inglês fosse formal, encontrei na cidade um sentido de liberdade que a gente já tinha quase esquecido no Brasil, já eram uns cinco, quase seis anos de regime militar. E vivemos por ali, em Notting Hill Gate…

VICENTE LOU: E por que você voltou antes dos tropicalistas?
MACALÉ: Brasileiro é foda! O brasileiro sente saudade, é sempre nostálgico. E tinha o fato de ter ido porque quis também, foi um autoexílio. Um momento de busca de trabalho, de produzir uma coisa bacana fora do país, mas acabou o trabalho e veio aquela nostalgia… O fato de estarem obrigatoriamente lá, criava uma certa repressão, entendeu? Todo mundo estava gostando de estar, mas era obrigado a estar, eu não. Então, a vontade de voltar foi mais forte. Nunca mais tive oportunidade de ir. Agora vai ser muito bom, vou visitar os lugares onde estive, muita coisa deve ter mudado... E eu quero reencontrar a Branca de Neve no teatro de cera.

Como assim?
Eu me apaixonei profundamente por Branca de Neve quando fui ao museu de cera [Madame Tussauds], porque eu tomei um ácido e fui com um amigo meu, saímos de casa, pegamos um daqueles ônibus de dois andares, descemos no centro, aí quando entramos, logo que eu vi a Branca de Neve naquele “estufo” de vidro, eu me apaixonei profundamente, me joguei em cima do caixão de vidro dela. “No trespassing”, disse o guardinha que me tirou dali, foi um horror, eu chorei pra caralho. Foi um diabo pra me tirar lá de cima! Agora eu quero reencontrar a Branca de Neve.

Sem ácido dessa vez…
Sem ácido. [risos] Até porque eu estou casado com a Branca de Neve. Estou casado com a cineasta Rejane Zilles, ela é gaúcha, branquinha... Encontrei a minha Branca de Neve no Brasil, agora quero apresentar a minha Branca de Neve pra Branca de Neve. [risos]

Já que você citou essa trip, você teve outras experiências com drogas?
Putz, totalmente… Maconha, cocaína, heroína também... Em Londres, era haxixe. Tive surtos. Cocaína nem pensar, nunca mais. Heroína tá fora do baralho.

Você chegou a ser viciado em alguma droga?
Não. Nunca fui viciado em nada, só em música. O resto fica na fantasia [risos].

Você chegou a se apresentar na Inglaterra?
No Festival de Glastonbury uma vez nós nos apresentamos… Fizemos algumas coisas, também cantamos em cima de um caminhão, não lembro exatamente onde foi. Nós nos apresentamos no Royal Albert Hall, na sala menorzinha.
Me lembro até que conheci o meu querido amigo Ray Charles, ele tava fazendo um show...

Você nasceu na Tijuca e sua família se mudou pra Ipanema. Que tipo de música você cresceu ouvindo?
Mudamos para Ipanema em 1948, 50. Minha mãe tocava piano, intuitivamente, e cantava muito bem. Meu pai adorava ópera, ele era militar da Marinha de Guerra do Brasil. Minha avó, que morava conosco, era de origem inglesa. Minha família é uma família maluca, tem gente de Trinidad y Tobago, de Belém do Pará, meu pai era de Recife, Pernambuco, vieram pro Rio e ali se formou uma família. E essa coisa de música estava sempre presente, inevitavelmente. Através da Rádio Nacional, que era uma espécie de uma Hollywood [risos], eu ouvia tudo de música, humor, e teatro, era uma rádio muito potente no Brasil e ela estava sempre ligada. Aos 15 anos de idade, peguei meu primeiro violão e resolvi que queria mesmo ser músico.

E como você foi parar no Teatro Opinião?
A convite do Roberto Santos do Nascimento, que era um parceiro meu de violão. Ele estava como violonista no Teatro Opinião, mas acompanhava Elizeth Cardoso. Ele teve algum trabalho a mais pra fazer e me chamou pra ser substituto dele. E também porque Maria Bethânia, quando veio fazer o Opinião, ela ficou hospedada lá em casa, em Ipanema. E a gente estava no cotidiano de tocar e cantar, etc e tal, juntou tudo.

Você já conhecia Bethânia antes dela chegar ao Rio?
Como ela foi parar na sua casa?

Eu conhecia o Caetano. Aí chamaram a Bethânia, mas eles não tinham onde colocá-la [risos]. E eu disse assim “olha, Bethânia pode ficar lá em casa, minha avó tá viajando pelo mundo e tal, pode ficar hospedada lá”. E aí, aconteceu.

Em 1969, você apresentou Gotham City no Festival Internacional da Canção e recebeu uma vaia estrondosa. Qual foi a sensação de receber uma vaia logo nos primeiros anos de carreira?
Gotham City já era uma música que vinha com a proposta de se contrapor àquele festival mais caretinha, mais formal, e tal. A vaia veio como uma vitória. Nelson Rodrigues tem uma frase maravilhosa, ele diz que “só a vaia consagra”. A unanimidade é uma burrice, só a vaia consagra. Então, foi uma vaia que fez com que nós, eu e meu parceiro [José Carlos] Capinan, ficássemos famosos depois da primeira apresentação, porque nós éramos anônimos e aquele escândalo foi um sucesso, né? E, atualmente, eu inclusive peço que vaiem no show. Fazia muito tempo que eu não cantava Gotham City, agora resolvi cantar, eu peço ao público que me vaiem e eles mandam ver na vaia, é maravilhoso! [risos]

Você era amigo de Caetano e Gotham City é uma música que se enquadra bem no perfil da Tropicália, por que você não participou do movimento tropicalista?
Porque eu estava me preparando para ser músico. Estava estudando violoncelo, composição, orquestração, regência, a formação do músico formal, né? E eu fiquei mais naquela coisa, e não na aventura da Tropicália, mas eu estava envolvido. Meus parceiros são basicamente tropicalistas, Capinan, Torquato Neto. E depois da Tropicália eu estive com os tropicalistas. Eu sempre digo que sou pré-tropicalista e pós-tropicalista, mas nunca tropicalista em si.
Quando voltou de Londres, você encontrou o Brasil ainda na ditadura. Como foi a sua readaptação?
Foi estranho, né? Era estranha a felicidade de voltar pro seu país e ao mesmo tempo encontrar a situação ainda pior daquele momento. O tipo de coisa que eu fazia em música, da estética que eu fazia, ficou muito fora do formato da que estava colocada no mercado. Então, em 1973 eu resolvi fazer um show em autobenefício. Convidei vários amigos meus, Chico, Milton… Caetano e Gil não estavam aqui e não podiam fazer show aqui, mas tinha a Gal, Johnny Alf… um espectro da música brasileira bem amplo, Gonzaguinha…Fiz o Banquete dos Mendigos, que era um show que começou em busca de um lugar pra fazê-lo. Então, passei no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, eu queria o espaço do museu pra fazer esse show coletivo em autobenefício. Tinha problema de censura, de espaço, e o diretor da cinemateca, que era meu amigo, propôs a aliança desse espetáculo a uma mostra que a ONU estava fazendo em comemoração ao 25º aniversário da Carta de Direitos Humanos. Ele sugeriu que eu aliasse esse espetáculo a isso. E a coisa se ampliou de tal forma que foi um espetáculo com a bandeira da ONU lá dentro do Museu de Arte Moderna, e quatro mil pessoas na plateia. Todos nós nos apresentamos e entre uma apresentação e outra eram lidos artigos da Declaração dos Direitos Humanos, dos quais a gente escolhia os mais perigosos, digamos assim [risos]. E foi uma coisa incrível, foi muito significativo, só que quando nós saímos estava a polícia toda em volta do Museu de Arte Moderna naquele momento, pro Exército não descer o cascudo na gente, porque era a ONU e eram direitos humanos, e tal. Mais tarde eu ganhei medalha da ONU. Aí eu comecei a me forçar a trabalhar independente disso tudo, e gravei meu primeiro disco.

No lançamento do disco Aprender a Nadar você mergulhou na Baía de Guanabara. A água era menos poluída naquela época?
Não, já era suja. Eu saí sujo de óleo. Pra lançar o Aprender a Nadar eu aluguei uma barca da Cantareira, eles tiraram as cadeiras todas, botaram um som lá dentro, eu fiz um show dentro da Baía de Guanabara, lancei o disco e me lancei ao mar. Mas eu tinha alugado uma barquinha do lado pra me recuperar. Hoje quando eu vejo a altura daquele negócio, o absurdo de se lançar… O comandante do navio ficou puto comigo, “homem ao mar”... Quando me joguei na água, as pessoas enlouqueceram... Eu de cueca, agradecendo, as pessoas saindo, e eu todo sujo de óleo, “muito obrigado! Muito obrigado!”. Foi espetacular! Eu tenho atitudes assim… é uma característica minha, eu gosto disso. Era performance. O que eu não sabia é que era performance, não havia esse nome. Viraram coisas de performance.

Você tem uma teatralidade no palco que não é comum em músicos… De onde vem esse lado performático?
Do teatro. Eu participei dessa coisa do Teatro de Arena, Augusto Boal, os atores do [Teatro] Opinião, a minha relação também com música pra teatro, fazer trilha pra teatro, estar lá também, e o cinema, fiz Amuleto de Ogum, não só a trilha, como ator também, o Nelson [Pereira dos Santos] me colocou como ator, fiz Macunaíma, com Joaquim Pedro de Andrade… No filme novo do Cláudio Assis [Big Jato], eu fiz o louco da cidade, o que não foi difícil pra mim. [risos]. Eu era o profeta louco, um poeta louco. Mas não é difícil porque quando eu vou fazer o personagem que me convidam, eu não busco. Quando me convidam, eu acho que basta ser eu mesmo. No Amuleto [de Ogum], eu fui o ceguinho, que conta a história do filme. O Nelson até disse assim “Macalé é um ator louco, porque depois ele não sai do papel, fica anos”. Como eu não sou ator, eu absorvo as qualidades do personagem que me agradam, aí vira uma pessoa carregando os valores do personagem. A minha vivência com cinema, teatro, artes plásticas, tudo isso se junta numa manifestação. Eu procuro estar em todas.

No Jornal da Globo, Nelson Motta prestou uma homenagem a você e mostraram uma cena em que você e Moreira da Silva estavam sendo presos. Aquilo foi uma performance ou era real?
Não, aquilo é real. Porque depois do Banquete dos Mendigos, essa manifestação da ONU, eles estavam atrás de mim durante muito tempo e nesse show em Vitória, no Espírito Santo, nós fizemos essa dupla, eu e Moreira. O Hermínio Bello de Carvalho propôs à Funarte e eles aceitaram. E aí, no Projeto Pixinguinha, eu fazia dupla com o Moreira da Silva, que é um gênio também, uma coisa teatral dele, a coisa da música, do samba de breque, uma coisa muito expressiva, né? E eu cantei duas músicas que não estavam no roteiro. Porque naquela época era censura mesmo. Aprovavam um roteiro e tinha que cumprir o roteiro. E eu rachei com o roteiro, cantei duas músicas minhas que não estavam no programa e que zoavam o futuro candidato a presidente do Brasil, o Magalhães Pinto. [cantarolando] “Será que esse Pinto sobe? Será que esse Pinto desce? Será que esse Pinto murcha? Ou será que esse Pinto cresce?” e os oficiais de polícia estavam no teatro. No dia seguinte, meu quarto, no hotel em Vitória, foi invadido pela Polícia Federal às seis horas da manhã. Aí fui levado, passei umas nove horas incomunicável lá, enquanto o pessoal arrumava advogado, essa coisa toda. Eu saí direto da prisão e fui pro teatro às seis horas da tarde, que era o horário da apresentação. Foi essa a prisão.

E por que o Moreira da Silva, que não havia descumprido o roteiro, foi junto?
O Morengueira [apelido de Moreira da Silva] foi pra dar um apoio, um companheirão. Eu liguei pra ele “Moreira, os homens vão me levar”, nem expliquei o que era, e ele “nos encontramos no saguão”, quando a gente desceu, ele estava impecável... Aí expulsaram ele do saguão, quando saímos foi um escândalo na cidade…

Você usa muito a paradinha do samba de breque. Já tinha isso ou absorveu do Moreira?
Eu já tinha essa admiração pelo samba de breque, pelo humor brasileiro. O humor era contrapartida à censura, ao cerceamento... eu inventava também. Até que eu conheci Moreira da Silva e fiz um curso intensivo com ele, eu me aprofundei, foi uma pós-graduação [risos].

Quando apresenta seus próprios clássicos, como Vapor Barato ou Movimento dos Barcos, você sempre vem com uma interpretação mais intensa, parece o João Gilberto, que também ensaia muito as canções já sabidas…
Ensaio. Eu absorvi muita coisa dele, inclusive, é interessante. Moreira da Silva tem mais improviso, um tipo informal, mas João é formalíssimo. Ele nunca canta igual, às vezes ele canta exatamente igual, mas ele consegue inovar, é jazz. Agora mesmo eu tô ouvindo Uma Casa Portuguesa e tem uma versão dele [cantarolando] “É uma casa portuguesa com certeza…” que é espetacular! Eu tô ali na cola dele, entre Amália Rodrigues e João Gilberto, porque eu quero cantar A Casa Portuguesa, inclusive, em Londres. Vou cantar em Portugal e em Londres, vou fazer o show com um trio - guitarra e violão, bateria e baixo - e tem uma parte minha sozinho também, só com violão, mais joãogilbertiano…

Falando em João Gilberto, eu soube que uma vez você contemplou o suicídio, começou a ligar pros amigos e foi salvo por João Gilberto. Por que você pensou em se matar?
Eu tava muito triste, profundamente triste, deprimido. A dificuldade de fazer as coisas, trabalhar, tinha rompido com a namorada… Enfim, o Brasil estava difícil, estava todo mundo meio deprimido, e eu ficando cada vez mais triste, e nessa eu fui me despedir dos amigos, e começo a me despedir do João. Ele sacou que eu tava muito mal e disse “vem pra cá! Vem pra cá!”, coisa que ele não diz pra todo mundo. Aí eu fui, ele morava ali no Leblon, num hotel, né? E a porta tava entreaberta, uma coisa mais incrível ainda, porque aquela porta não se abre pra qualquer um… Aí eu bati e ele... “Entra, meu filho, entra!”. Eu sentei lá no sofazinho. Ele falou “vem cá, você precisa descansar”. Ele me deitou na cama, botou uma cadeira e começou a cantar Rancho Fundo, [cantarola Rancho Fundo], ficou repetindo aquilo como um mantra, aí eu apaguei. No dia seguinte, acordei, fui até a sala, ele estava em pé, lavando pratos, coisa mais incrível ainda... Nem virou pra minha cara e disse assim “Melhorou?”.

Salvo pelo Rancho Fundo!
Por João Gilberto! [risos] Foi uma coisa incrível. Daí, nasceu uma amizade ótima também!

Você atravessou essa época de chumbo do Brasil, depois vivemos um período de democracia em evolução e agora estamos novamente numa enrascada. Você acha que a gente consegue sair dessa?
Tem que sair. O Brasil não vai terminar, por pior que esteja, pior recessão, desgoverno total, o Brasil não vai acabar. Um país continental, um povo maravilhoso, queira ou não, é um país lindo, cheio de recursos. A gente tem o nióbio, esse metal preciosíssimo, que está servindo como liga de todos os metais pesados usados… nós temos muitos recursos, temos tudo. Quem tem isso, por pior que esteja, não vai acabar de repente. É impossível, a gente tem que ter uma certa esperança. Por pior que esteja, tem que ter esperança. Nós já tivemos momentos também muito ruins e o país não acabou.

O que é pior: uma ditadura explícita como o regime militar ou uma ditadura embalada em democracia?
As duas coisas são ruins. Se botar numa balança, ainda temos a liberdade de expressão e tal, isso naturalmente é bom, não temos censura. Mas a coisa está tão impregnada de ódio, de desavença, de complô... Nós estamos muito feios, de que adianta ter a liberdade de expressão se a expressão está assim corrompida? Porém, melhor assim do que a anterior. O tecido político no Brasil está totalmente apodrecido, isso torna ambas situações ruins…
Mas a arte salva o Brasil, a criação artística salva o Brasil. Em todas as manifestações, cinema, literatura, artes plásticas, tevê, a música. A música salva o Brasil. Temos ótimos músicos, instrumentistas, compositores, autores. Lá em São Paulo, não diria nem que é um movimento, mas tem uma coisa de criação espontânea, de vanguarda mesmo, do tipo de invenção que sai dos padrões. E vai muito bem em todos os estados. Agora tem um tipo de sertanejo, bem bobinho, que comercialmente tomou a coisa de uma fórmula mercadológica da grana, mas enquanto isso a alternatividade continua muito forte. E eu tô sempre com eles, diga-se de passagem! Quero pegar essa rapaziada toda e “vamos trabalhar”. Eles fizeram uma homenagem reinterpretando minhas músicas, reinventando minhas músicas. Eu quero retribuir essa gentileza e eu quero também gravar um disco de inéditas, algumas com eles, poemas deles, trabalhos deles, com as alianças…

Quem são eles?
Esse pessoal aí, Metá Metá, Zeca Baleiro, todo mundo.

E você tem material inédito?
Tenho composições minhas e com parceiros.

Seu nome real é Jards Anet da Silva e eu soube que “Macalé” era o nome de um dos piores jogadores...
Não era o pior, coitado! Ele era do Botafogo. Ele tanto podia jogar bem como podia não jogar tão bem. Quando eu ia jogar pelada por aí, na praia, o pessoal ficava “passa a bola, Macalé”, ficava brincando comigo, me gozando. E quando foi escolhido meu nome artístico, era só Macalé. O Guilherme Araújo, que era empresário de todos nós, falou “você vai se chamar Jards Macalé”. Artista tinha que ter dois nomes, ou nome inteiro. Minha mãe que não gostou, “meu filho, te dei um nome tão bonito, Jards, e você me vem com Macalé?” Mas pegou.

Você ainda joga bola ou parou?
Eu nunca joguei. No máximo, o que eu fiz foi entrar no time do Luiz Melodia, no Estácio, e pagar um vexame no campo do Chico Buarque, o Polytheama, a minha carreira acabou ali... [risos].

O Chico ainda continua jogando?
Acho que sim, aquele campo é dele. [risos]

E essa energia no palco...
Eu gosto, porque se não puser tudo… 

Você tem algum cuidado físico, segue alguma dieta?
Eu me cuido. Algumas coisas eu cuido, como a voz, mas eu sou muito preguiçoso nesse sentido.

Você tem algum arrependimento...?
Não. Agora é tarde… [risos]
O que tá feito, tá feito, né? Eu não me arrependo, mas eu gostaria de ter tido mais foco. Eu me dispersei muito… mas ao mesmo tempo, mesmo com essa pretensa dispersão, fiz cinema, teatro, fiz tantas coisas gostosas, deu tudo certo, embora pela via mais torta. Tudo direito pela via torta [risos].

• Jards Macalé, 30 de julho, domingo, 19h, no Nells Jazz & Blues: 3 North End Crescent, W14 8TG.
Ingressos: £25 a £27.50.
Reservas: www.seetickets.com

• Leros vai sortear 2 pares de ingressos para o show de Jards Macalé. Para concorrer, envie seu nome e telefone por e-mail para leros@leros.co.uk até o dia 23 de julho (o sorteio será no dia 24).